



[About Me ]
Nome: Van
Quem sou: Uma garota que vive vijando na maionese, mas séria (rss). E que gosta de curtir a vida. Sou um poko sonhadora, mas e daí?! Gosto de estar com os amigos, de desenhar e escrever histórias (de vez em quando).
Onde mora: São Paulo.
Livros: Harry Potter, Senhor dos Anéis, Agatha Christie e Dan Brown.
Filmes: Encontro Marcado, Shrek, Harry Potter, Senhor dos Anéis, Star Wars, Homem-Aranha e vários dos filmes de ação, aventura e comédia.
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[ Site By ]Van

29/04/2007 17:56
LEMBRANÇA DE MORRER
Álvares de Azevedo
Noite na Taverna
Quando em meu peito rebenta-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto o poento-caminheiro.
- Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sincero;
Como o desterro de minh'alma errante,
Onde fogo insensato a conumia:
Só levo uma saudade - é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade - é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe! pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!
De meu pai... de meus únicos amigos,
Poucos - bem poucos - e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoidecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu foi por ti e de esperança
De na vida gozar teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
- Foi poeta - sonhou - e amou na vida.
Sombras do vale, noites da montanha,
Que minh'alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe um canto!
Mas quando preludia ave d'auror
E quando à meio-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai alua pratear-me a lousa!

enviada por Van
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